Prosa Cinéfila - Episódio 2
- Equipe
- 1 de abr. de 2019
- 3 min de leitura
Cinema Novo, Filme Antigo. Você já teve aquela vontade de ver filmes antigos nos cinemas dos grandes shoppings? Conheça "Prosa Cinéfila" uma séries de crônicas escritas pelo nosso crítico e colaborador do site: Fernando Cazelli.

Eu tenho a sorte de morar em Guarulhos, a menos de meia hora de viagem dos maiores pólos de cinema de São Paulo. Ultimamente, meu tempo livre e o dinheiro têm permitido que eu vá até São Paulo para ver mostras de cinema que focam em clássicos do cinema remasterizados, em salas modernas, para salas lotadas de gente que, como eu, gosta de cinema clássico.
As opções são muito abundantes: temos o MIS (museu de Imagem e Som), a Cinesala, o Cinesesc, o Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil, o Caixa Belas Artes, o Cinema Itaú, entre outras grandes opções. Sem contar que há o Senhor dos Anéis in Concert, projeto que trará A Sociedade do Anel acompanhada de uma orquestra (que infelizmente fui lento demais para comprar meu ingresso).
O público moderno de cinema clássico vai muito além dos estudantes de cinema e gente que gosta de rever filmes que viu na época em que foram lançados. É uma gente jovem, com uma sede de cinema que se compara aos festivais de música (todos os eventos que fui tinham ingressos concorridíssimos, e esgotados semanas antes dos eventos), de origens variadas e gostos diversificados.

Dada à grande conectividade do público hoje em dia, nos informamos muito mais sobre as origens do cinema, movimentos clássicos, diretores obscuros e filmes “incomuns” de maneira mais casual, mais fácil (quando antes, só poderíamos aprender sobre em aulas de cinema, ou publicações especializadas). A acessibilidade de informação tornou o público que gosta de cinema clássico mais jovem, mais ativo, mais engajado.
Com a modernização do cinema, o advento dos serviços de streaming e a adesão a esses serviços de grandes nomes da indústria (Cuarón, Scorcese, etc.), saem de cena as locadoras e as distribuidoras de DVDs e BluRays físicos (um exemplo é a Versátil mudando suas coleções para se sustentar, o fechamento da FNAC no Brasil, etc.).

Com essas mudanças, o paradigma do cenário do cinema clássico se altera: onde antes tínhamos grandes ilhas de descoberta como as grandes lojas de DVDs e locadoras, temos as opções dos serviços de streaming (que estão sempre mudando, e nem sempre trazem os melhores filmes), coleção de DVDs (que, dada a crise nas distribuidoras e as poucas lojas que sobraram, começa a doer no bolso) e o próprio cinema.
Assim, o papel do cinema como instituição começa a mudar. O público está demonstrando que quer ver mais filmes clássicos (remasterizados ou não) nas telas: todas as sessões que participei estavam absolutamente lotadas, com gente pedindo ingresso nas páginas do Facebook, Twitter, etc.
É claro que há um vazio deixado pela modernização do cinema que parece vir cada vez mais rápido nos dias de hoje. No mesmo ritmo que teremos grandes produções distribuídas diretamente para nossas TVs e smartphones, nada se compara com a experiência de ir a um cinema e se sentir completamente imerso em um filme, seja ele um clássico ou um filme novo.

No entanto, o movimento do cinema clássico precisa se expandir pelo Brasil. Há um público muito maior esperando em cidades mais afastadas e outros Estados que acabam ficando dependentes de grandes Mostras de cinema sazonais, ou que precisem se deslocar por horas para ver algum filme que esteja fora do circuito mais rentável de cinema de hoje em dia.
Com a onda de reboots e remakes que infesta a indústria (só nesse ano teremos um novo Dumbo, Alladin, Toy Story, e enquanto escrevo, acabaram de anunciar um Ghostbusters 3), o papel do cinema clássico é demonstrar os limites da arte cinematográfica, e como podemos ver, tem muita gente interessada.
Escrito por Fernando Cazelli
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