O Massacre da Serra Elétrica – A Violência Está Toda na Sua Cabeça
- Gabriel Pinheiro
- 24 de set. de 2019
- 3 min de leitura
O filme do diretor Tobe Hooper de 1974, O Massacre da Serra Elétrica, é considerado um dos filmes de terror mais viscerais e assustadores já produzidos, e quase não há violência na tela.
Nele, um casal de irmãos, acompanhados de 3 amigos, vão até o interior do Texas visitar o túmulo de seu avô, pois o cemitério onde fica foi vandalizado. Após a visita, vão até a casa do avô, e passam a conhecer os amigáveis vizinhos.

Talvez esse seja um dos filmes mais conhecidos do gênero slasher que dominou a cultura pop nos anos 70/80. Os maiores filmes do gênero são: Halloween, Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo e Brinquedo Assassino (e todos os vilões desses filmes permanecem na cultura pop até hoje – Mike Myers, Jason, Freddy Krueger e Chucky).
Filmes produzidos com pouco dinheiro, que mostravam jovens sendo perseguidos por maníacos que queriam matá-los de maneiras cada vez mais criativas e violentas. A violência sempre foi um dos maiores focos desses filmes. Quanto mais sangue, mais o filme seria lembrado e comentado.

No entanto, O Massacre da Serra Elétrica, um dos filmes mais cultuados e importantes desse gênero, quase não mostra nenhuma violência em seus 83 minutos.
Não que o filme não seja violento, é claro.
A intenção inicial de Hooper era conseguir vender o filme como “PG”, permitindo que uma audiência mais jovem fosse alcançada (e assim, mais dinheiro em seu bolso), cortando muito da violência gráfica do filme.

Durante o filme, apenas uma pessoa é morta pela serra elétrica, outras três são mortas por uma marreta, e a única vez que vemos a serra elétrica cortando alguém, é quando Leatherface se acidenta, perto do final. Todas as mortes acontecem quase que fora do plano, com um foco muito maior no design de som do que aconteceu do que em realmente mostrar a violência ocorrendo.
Em muito do filme, não há trilha sonora. O silêncio é utilizado muito bem, criando uma atmosfera tensa e palpável. No fim do filme, a trilha aparece, e Hooper decidiu não utilizar nenhum instrumento – podemos ouvir apenas sons que um animal ouviria num abatedouro.

O design de produção é espetacular, mostrando-nos uma cidade cheia de caipiras canibais. Os interiores expressam muito bem o quão... caipiras e canibais essas pessoas são.
Mesmo sem demonstrar muita violência gráfica, Hooper constrói um tom extremamente pavoroso para o filme, com o emprego da trilha sonora e da psicologia para assustar seus espectadores.
Psicologia?
Sim. Eu explico.
Porque muito da violência não nos é mostrada, nosso cérebro, que está imerso na história que estamos vendo, procura preencher as lacunas do que não podemos ver. E como a violência é uma parte grande desse filme, nós passamos muito tempo pensando no que aconteceu com algum personagem que teve algum destino trágico.

O filme nos alimenta com pouca informação sobre o que ocorreu: um som, as imagens são meio fora de foco, a surpresa do que aconteceu, etc.
E é aí que o plano do diretor para vender o filme para uma platéia de 13 anos tendo cortado a violência gráfica deu errado: o filme conseguiu uma classificação até então reservada apenas para pornografia: o “X”.

O motivo disso é que a violência que ocorre dentro das nossas frágeis cabeças é muito pior do que aquela que podemos ver. O resultado disso é um filme que cria imagens muito mais assustadoras e impressionantes porque elas são criações das nossas mentes.
Escrito por Fernando Cazelli
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