Cinema Novo Como Identidade Nacional Brasileira
- Equipe
- 17 de jun. de 2019
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No dia 28 de dezembro de 1895 o filme ‘’L’Arrivée d’un Train à La Ciotat’’ estava sendo exibido em Paris. Gravado pelos irmãos Lumiére esse acontecimento marcaria a história contemporânea ao exibir o primeiro filme da história, inaugurando a indústria cinematográfica.
O cinema se desmembrou em várias partes, desde entretenimento à denúncias sociais, onde a imagem dialoga diretamente com o espectador o apresentando à novas realidades, tornando-o agente ativo da obra.
No Brasil, até meados da década de 50, nosso cinema se espelhava nas produções hollywoodianas, copiando seus moldes de entretenimento comerciais. O Cinema Novo veio para quebrar esse paradigma, mais que um movimento cinematográfico, se tornou identitário, um cinema ‘’com cara de Brasil’’. Tendo claras influências do neo-realismo italiano e da novelle vague, o cinema novo é também um movimento social e de denúncia, mostrando as realidades brasileiras ignoradas pelos cidadãos. A pobreza, a morte, o coronelismo, a fome.

O nome mais famoso nesse cenário é do baiano Glauber Rocha, que eternizou o movimento com a frase ‘’uma câmera na mão e uma ideia na cabeça’’. O cinemanovismo era feito com baixo orçamento, mais uma forma de se desvencilhar do cinema norte-americano, inaugurando um cinema inédito, o que rendeu o nome de Cinema Novo. A ideia era criar um cinema que representasse as realidades brasileiras numa estética brasileira, como fez o neo-realismo italiano ao fazer filmes que englobassem a realidade
italiana pós-guerra e o desenrolar da sociedade pós esse trauma. Assim, cria-se assim um cinema de identidade nacional, rompendo com as estéticas antigas ao fazer filmes que competem à nossa realidade, desprendendo-se de heranças colonialistas.
Levando isso em conta, pode-se dizer que mais que romper com as antigas formas de fazer cinema, o cinema novo criou uma identidade se tornando um cinema de fato brasileiro, de cunho social onde a intenção não é entreter o espectador com narrativas épicas, mas denunciar e fazer com o que o espectador se relacione (a câmera na mão em vez de no tripé diminuindo o distanciamento do espectador e da imagem) com as diferentes realidades, principalmente dos menos favorecidos que compõem a maior parte da população brasileira.

Os cineastas do cinema novo acreditavam na cinematografia como elemento de transformação social. A reação do público em geral não foi a esperada, pois ainda estavam habituados ao cinema comercial, mas o cinemanovismo foi adotado pelos jovens intelectuais e ganhou notoriedade internacional ao produzir filmes caracteristicamente brasileiros e usar a imagem como ferramenta de socialização do indivíduo com outras ideias, conceitos e realidades.
O cinema novo se tornou tão significativo pois mostrou diferentes possibilidades de fazer e criar uma cinematografia própria valorizando os elementos culturais e sociais de nosso País. As influências do cinemanovismo são vistas até hoje (como por exemplo no filme ‘’Central do Brasil’’ de Walter Salles). Com isso, podemos concluir que o cinema novo faz parte da identidade brasileira por ser um movimento original criado a partir da realidade do País.
Para finalizar, novamente uma frase do fantástico Glauber Rocha que exprime a essência do cinemanovismo: ‘’onde houver um cineasta, de qualquer idade ou de
qualquer procedência, pronto a pôr seu cinema a serviço das causas importantes de seu tempo, aí haverá um germe do cinema novo.’’
Escrito por Marina Rezende
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